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“Por trás de toda música ‘inocente’, o reflexo de uma sociedade machista”. Assim é apresentado o ‘MMPB – Música Machista Popular Brasileira’, projeto que evidencia as letras que desvalorizam a mulher e a tratam de maneira sexista na cultura pop.
A ideia surgiu após a revolta com música “Só Surubinha de Leve”, alvo de polêmica e que chegou a ser banida do Spotify. Como é um produto cultural, independente de estilo, as músicas retratam e refletem nossa sociedade. Por isso, engana-se quem pensa que a degradação da imagem feminina, por exemplo, é algo relativo à gênero musical. Ela se espalha por gerações e pelos diferentes tipos de canções existentes.
Para evidenciar essa questão as publicitárias Lilian Oliveira, Nathalia Ehl, Rossiane Antunez e Carolina Tod, afirmam que lançaram a proposta para provocar a reflexão sobre o conteúdo machista de canções nacionais, de todas as épocas e gêneros.
“Não queremos necessariamente apontar dedos ou boicotar artistas. Aliás, vários que estão lá, como o Mano Brown, já se posicionaram abertamente contra muita coisa que eles mesmos fizeram”, disse Rossiane Antúnez. “Estilo Cachorro”, do Racionais Mc’s, foi incluída no MMPB. Queremos mais é fazer as pessoas refletirem, mesmo. Correrem atrás de informação, questionarem mais o que consomem”, complementou.
Como funciona
Ao clicar no botão shuffle da página inicial, o MMPB mostra uma música acompanhada de letra, do link do YouTube para ouvi-la, de uma análise que indica o por quê da letra ser problemática e direcionada para pesquisas e notícias que relacionadas a crimes e abusos contra a mulher. O Cada novo clique no shuffle exibe uma nova canção.

As partes controversas aparecem em destaque e são analisadas em tom didático, no sentido que chama atenção para dados como o de feminicídio do país. Somos o 5º que mais mata mulheres no mundo. A ideia é apontar as canções como parte do pano de fundo cultural dessa violência.
Conteúdo
Da MPB ao Funk, a plataforma traz algumas músicas de sucesso e que caíram no gosto do público. Canções cantadas tanto por homens quanto por mulheres, como Ludmilla e Solange Almeida. Lançado com um número inicial de 100 músicas, na playlist aleatória do MMPB, estão exemplos como: “Química”, do cantor Biel, “Formosa”, de Vinícius de Moraes, “Carabina”, da dupla Bruninho e Davi, e “Marina”, de Dorival Caymmi.É possível enviar sugestões de letras que deveriam constar no site. De acordo com Antúnez, a equipe já recebeu uma série de sugestões desde que o site entrou no ar, que já estão em análise.
Acesse a plataforma e experimente dar um shuffle ou enviar uma música! www.mmpb.com.br/

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