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setembro 27, 2021

Transmídia: o que, como e para quê?


Antes de começar a falar sobre Transmídia, é necessário trazer um pouco do cenário que introduz esse “evento” em nossos cotidianos. Inegavelmente, estamos vivendo a era da cooperação para construção de conhecimento e cada vez mais as mídias se encontram para atingir diferentes públicos e explorar as linguagens que cada uma dessas mídias oferece.

O uso das mídias digitais continua em crescimento e o alinhamento junto às mídias tradicionais acabam com os boatos sobre o fim dos velhos canais midiáticos. Essa junção se faz necessária para conectar diversos tipos de audiência ao mesmo produto.

Graças a esse movimento de colaboração, incentivado pelas mudanças socioculturais e as fusões midiáticas, a relação das grandes companhias de comunicação em relação ao consumidor também mudou. Hoje é perceptível que o receptor do conteúdo não é apenas um elemento passivo, mas que também pode ser porta-voz e orientador no planejamento de pauta. Como assim? Ele também dita o que irá acontecer.

Este é o cenário que introduz a Cultura da Convergência, mídias tradicionais e mídias alternativas aliam-se reconfigurando modelos pré-existentes, com a finalidade de reproduzir conteúdos que venham a alcançar uma audiência diversificada sem se distanciar do objetivo principal, que é entregar a mensagem. 

O conceito de cultura de convergência ganhou popularidade alguns anos atrás através do livro, de mesmo nome, escrito por Henry Jenkins (2009), que diz que o processo de convergência é cultural, e se refere ao fluxo de informações através do maior número de canais midiáticos possíveis.

Hoje, com o progresso da convergência em curso, é possível observar com mais clareza o que Jenkins quis dizer ao afirmar que esse processo acompanha a cultura, como os avanços tecnológicos e sociopolíticos permitiram a ruptura da hegemonia televisa. Em contrapartida, o desenvolvimento e evolução de um espaço com possibilidades mais abertas e multilaterais, no qual as pessoas são tratadas de igual para igual.

No livro, Jenkins também discute a transmídia, que é quando o conteúdo/produto se sobressai à uma única mídia, sendo uma forma de contar uma história em múltiplas plataformas e formatos, digitais ou não. Comumente confundido com o crossmídia, que é a replicação e distribuição do mesmo material em diversas mídias, a transmídia constrói a narrativa do universo original, através da técnica do storytelling, e o adapta, criando diferentes narrativas a partir do conceito inicial, que se influenciam simultaneamente. 

Um excelente exemplo desse movimento no Brasil é a história de Penha, Rosário e Cida, as Empreguetes da novela Cheia de Charme, que conseguiram aliar a transmissão em rede nacional à internet numa estratégia muito bem sucedida à sua época. A novela, lançada em 2011, rende frutos na memória dos brasileiros até hoje. 

Esse tipo de estratégia busca resultados positivos, como o engajamento da audiência, através de uma narrativa coesa entre todas as plataformas nas quais o conteúdo está sendo distribuído. No que diz respeito à abrangência, procura-se atingir os públicos nativos de plataformas específicas os levando a transitar entre os canais, conseguindo assim, angariar novos consumidores para que possam ter a experiência completa dentro do que está sendo proposto pela franquia. 

Definitivamente, a transmídia não é mais uma aposta para o futuro. Ela já está entre nós e tende apenas a crescer, com novas estratégias e abordagens!

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Fonte:

FRANÇA, Cyntia. Caso Deadpool: Transmídia e a Consolidação De Franquias Cinematográficas, 2019.

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